quarta-feira, 24 de junho de 2020

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Um mês atrás, cada cinco minutos eu olhava meu celular para ver as notificações das redes sociais, achava que precisava trabalhar e olhar cada seguidor novo que me seguia no instagram. Olhando achava que controlava a qualidade dos posts, dos comentários e vigiava meu nome profissional.
 Um mês depois, a cada três minutos eu vigio o direct da nossa conversa no insta...ansiosa para você ler tudo o que eu escrevi na esperança de que isso me salvaria da solidão do meu sentir.

W dia da quarentena

Ontem eu dormi achando que acordaria leve, como todas outras vezes, por saber o que aconteceria em seguida. Conversas que nos levavam a um denominador comum que geralmente nos fizesse continuar na mesma estrada. 
Hoje eu acordo ansiosa, com as mãos geladas, com o coração apertado, sem ar, entendendo que este lugar que escolhíamos ficar já não nos cabe mais e que precisamos sair dele. Para onde sair? Para onde ir? Me sinto refém das suas escolhas, na espera, mesmo sabendo que preciso fazer as minhas, por mim. 
Levantei da cama e estava quase certa de que sentiria o frio de Junho, o vazio da quarentena, o medo da pandemia, a fome do pão, a preguiça de alimentar aos animais...mas eu senti o calor do sol, a determinação da tarefa, o amor aos bichos...e o buraco que você deixou em mim. 

Ressoa a alma

Geminiana
DAY
"Eu só queria entender
Por que é que você foi embora
O meu coração só tinha espaço pra você
Volta aqui de novo só pra eu te dizer
Se você quiser chegar
Te dou motivo de sobra pra você ficar
As vírgulas não são ponto final
Quem falou em final
Quem falou?
Sei que você também 'tá pensando quando
A gente ficava delirando na noite transando
Me diz o que 'cê vai fazer
Até minha cama tem saudade de você
Sei que você também 'tá pensando quando
A gente ficava delirando na noite transando
Me diz o que 'cê vai fazer
Até minha cama tem saudade
A gente aprende com os anos
Nem tudo sai como o esperado
Meus planos são não fazer planos
Contanto que tenha você do meu lado
Baby, você não me engana
'Cê 'tá jogando com a geminiana
Do tipo que se você vai
Eu não vou atrás, eu não vou…"
Fonte: LyricFind

Inspiração

Se a inspiração da escrita é a paixão, a dor, a solidão, o luto ou qualquer outro tipo de afeto que venha a sua menta agora...eu não sei. Se o que eu sinto por ela é amor, paixão, tesão, vantagens, circunstâncias, quarentena, isolamento, tudo junto e misturado...eu não sei. 
E eu não sei, não por quê não sinta...mas porque intuo que não preciso dar nome a algo que visceralmente está ali...entranhado nos nossos corpos, marcados nos nossos perispíritos. E sabe por quê eu não me preocupo em você me ler? Porque no fundo nós sabemos que o que é vivido nunca será traduzido em linguagem capaz de transmitir um por cento do que sentimos. 

Escrita

Li para ela textos que fiz em 2012, tentativas de poemas que fiz em 2013, feridas abertas em formato de prosa de 2017 e o silêncio de rascunhos em 2018. 
Li para ela diversas versões de mim, abri minha alma e rasguei meu peito para mostrar meus pensamentos mais obscuros e melancólicos. 
Mostrei para ela a minha visão da morte, as minhas dores da saudade e a minha impermanência no mundo como ser errante.
Implorei para ela que ficasse pelo menos mais um pouquinho, com intuito de conseguir fazê-la sentir uma parte de mim.
E desejei que quando fosse levasse consigo um fragmento do meu eu...não para que fosse incorporado à ela, mas para que fosse cuidado como um pássaro frágil em sua mão e que a lembrasse sempre do pedaço que eu fui com ela. 

Medos

Medos...
Medo do real...do entender que sou alguém que muitas vezes reveza em encaixar e não encaixar no mundo, imperfeita, furada, faltante.
Medo do imaginário...de acreditar que toda a fantasia que eu criei sobre a vida, sobre as relações, pessoas e objetos pode ser visto a olho nu pelo outro.
Medo do simbólico...da ingenuidade de achar que a minha linguagem sempre será compreendida e que assim, terei a paz que tanto procuro...
o de ser entendida no mundo. 

Só amo

     Eu amo o jeito como ela aceita ir de encontro a minha alma, mesmo com medo de se enroscar e sair machucada; como deita no meu peito pedindo casa a noite; como esboça aquele sorriso de lado de manhã com receio de me beijar, mas com aquele desejo ardente de querer ser devorada e de querer me devorar. 
     Eu amo sua paciência ao querer me ouvir, não apenas pela curiosidade, mas pela vontade de adentrar cada vez mais no meu mundo fantástico; amo como gosta de debater assuntos diversos para enriquecer nossos eus e não para provar que alguém ali sabe algo; amo como entende que dar presente no dia dos namorados não é pressão para definir nada e como aceita desafios de trocar afetos apenas com olhares, sem palavras.
   Eu amo a ideia de poder imaginar uma vida a dois com ela, de por alguns segundos todos meus pensamentos ficarem límpidos e transmitir à ela a paz que é poder se entregar comigo a mares desconhecidos e violentos.


terça-feira, 23 de junho de 2020

Teia Relacional

        A gente nunca sabe quando, por quê ou como alguém entra na nossa vida. Iniciamos qualquer relação acreditando que saberemos controlar tudo o que sentimentos, como agiremos, quais comportamentos e atitudes teremos em cada ocasião e quando paramos para refletir, nos vemos enrolamos em teias com fios tão finos que quanto mais nos mexemos mais nos emaranhamos. 
       Ahhh aquele emaranhado de afetos, alguns claros, outros confusos...em alguns momentos gostosos e em outros tão angustiantes que temos vontade de sair correndo. Mas, quando tentamos, mais presos nos sentimos. 
     Até entendermos que para sair dessa teia, é preciso pegar cada fio tensionado e ir deixando-os mais maleáveis. É entender o que cada um deles representa naquela relação e ver quais não podem se soltar (se não a estrutura desaba) e quais podem ser modificamos para nos levarmos a outros caminhos. É perceber que as vezes cada fio pode nos indicar uma estrada e que cabe a nós escolher qual destino tomar. 

segunda-feira, 22 de junho de 2020

Quarentena

A quarentena veio como um caminhão me atropelando, levou todos os meus pré amores e amores. Me trouxe intimidades que não imaginei que teria tão cedo, afetos, fetos, etos, os, s. Não sei o que esperar do que ainda vivo. Só respiro, sinto, indo, vindo, questionando pensamentos.