segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

2017

    Ano de muita reflexão, luta contra impulsos, amadurecimento, dores, perdas. Era isso que imaginei carregar quando chegasse no Natal, que faria uma retrospectiva onde perceberia ter recuperado minha força interior para gerar mudanças significativas na minha vida.
    Mas se eu dizer que é só isso, estaria mentindo. Também tive experiências egoístas incríveis, aventuras, conheci diversas pessoas e depois desse rito de passagem cheio de descobertas, me senti vazia. Foi quando comecei a sentir que quanto mais você corre atrás de si mesmo, mais você lida com suas faltas. 
     E poder encarar elas me deixou mais forte para me abrir de novo ao mundo. Então hoje eu acordo apaixonada...por uma menina incrível! Quem diria em? Me entregar afetivamente para alguém foi a maior novidade de 2017.
     Um belo dia você resolve sair com alguém, pensando em curtir uma noite e, quando menos espera, seu desejo é passar as 24 horas do dia com ela. E nesse momento me resgatei. Lembrei que posso ser carinhosa, amorosa, atenciosa, romântica. Que posso me permitir amar e ser amada por uma pessoa do mesmo sexo. Que eu posso me entregar de corpo e alma sem medo de me machucar, porque sofrer também faz parte de sentir-se vivo. 
     Você já faz parte de mim a partir do momento em que te deixei entrar e como é doloroso quando resolve se descolar. Odeio quando precisa ir embora, dar atenção para amigos e família, se desconecta virtualmente para navegar na internet ou jogar e deixa de ser o útero no qual eu gostaria de estar.
   Mas junto com isso eu amo a percepção de independência, liberdade, vida pós encontros, compreensão e carinho. Com você, não existe mais a palavra cerceamento e prisão no meu vocabulário, apenas respirações lentas e profundas...paz. 

sábado, 11 de março de 2017

Vocês acham que as violências que sofremos na vida foram causas aleatórias, escolhidas ou que vem de uma força superior?

Medo

Se existe algo que eu odeio admitir é que tenho medo de algo. E quando eu percebo que esse medo está relacionado a ficar sozinha acho absurdo me permitir sentir. Medo da solidão, do nada, da morte.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Aquele momento que alguém diz que está apaixonado por você

        Estranhamente, depois que eu li um texto de uma menina linda apaixonada por mim, entrei em contato tão profundamente com quem eu sou que me perguntei o que ela enxergou. Foram diversos os sentimentos entre choros, passos pela casa e indagações.

Felicidade - por saber que alguém sente coisas tão lindas por mim.
Tristeza - por não conseguir corresponder este sentimento na mesma intensidade.
Medo - de magoar e decepcionar a entrega afetiva e a confiança dela em mim.
Responsabilidade - por ter proporcionado algo tão significativo e importante à alguém.
Culpa - por saber da arte de fazer alguém se apaixonar.
Raiva - da ousadia, de arriscar e de ser egoísta, fazer o que quero sem pensar no que isso pode gerar no outro.
Neurótica, "boazinha", fofa, filha do ano, psicopata, egoísta, amável, odiável, confusa, decidida, medrosa, ousada, escrota, inesquecível, fria, fechada emocionalmente, etc, etc. 

         A vida e seus mistérios interiores. Sempre achei fácil me entregar nos braços de alguém. Sexo, dormir de conchinha, beijar, tocar, trocar energias, conversar e experienciar coisas novas. Algo tão natural, mas que com ela eu senti uma tremenda ansiedade.
       Não sei se por saber que isso poderia fazê-la se apaixonar, por saber da responsabilidade que isso implicaria, da novidade, mas eu neguei ver tudo isso. Segui meu desejo. Tudo foi legítimo, beijá-la, levá-la para casa, dormir junto e acordar no dia seguinte sem arrependimentos. 
        Em nenhum momento fiz algo que eu não queria fazer, foi autentico. Aqui eu percebo na pele a dificuldade de todos nós de assumirmos o que realmente desejamos, conseguir se apropriar de si mesmo e ser verdadeiro.
     Mas chegou um ponto onde os sentimentos dela surgiram, e os meus? Adormecidos? Inexistentes? Mortos? Escondidos? Será que ela também se pergunta isso?
       Vou contar uma história para vocês me entenderem. Como uma pessoa normal, egoísta e narcisista, falarei o que sinto, tendo plena consciência de tudo que isso possa gerar. Fazem 04 meses que nos conhecemos pessoalmente, mas também fazem quase 06 meses que eu terminei um relacionamento de 02 anos e 05 meses com um rapaz. 
        Esse namoro foi a "coisa" mais intensa que eu já tive e até hoje lembrar me faz chorar, rir, sentir nostalgia e me indagar sobre quem eu sou e quem eu fui. Não foi apenas um namoro, mas sim, parte do meu processo de crescimento como pessoa, algo que ressoou na minha alma.
      Partindo desses fatos, percebo que ainda existem amarras criadas e não desfeitas. Já tirei ele do lugar de namorado, entretanto, sua pessoa grita dentro de mim e me questiona o que é certo e errado, amor e ódio, companheirismo e traição, vida e morte.
      Com isso, minhas emoções estão congeladas no tempo, ainda sou a gata presa em casa, observando da varanda e tomando sol, me preparando para sair. Quando ela sair estará forte, corajosa e pronta para enfrentar questionamentos, dúvidas, preconceitos, sentimentos e pessoas. E pode ter certeza, quando decidida, nada mudará o que deseja.
      Não me pergunte quando, onde ou o que acontecerá daqui para frente. Homem, mulher, relação aberta, namoro, poliamor, encontro casual ou nada. Saiba que tudo na vida tem risco, felicidade ou tristeza, o que importa para mim é a experiência vivida com autenticidade.
    Hoje, o que eu posso te dar, é minha companhia, minha confusão e experiências. Agora deixo a decisão com você.