quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Imprevisibilidade

    Vocês já pararam para pensar na palavra "imprevisibilidade"? Se nós procurarmos no dicionário virtual, encontraremos a palavra imprevisível com o seguinte significado: Diz-se daquilo ou daquele que não se pode prever, ver, saber, examinar ou dizer com antecipação.
     Essa palavra encaixou perfeitamente no meu dia hoje. Acordei 5:20 da manhã, para malhar antes de ir fazer duas provas que estavam programadas para serem as últimas desse semestre. Fui para a academia e lá eu encontrei uma prima minha.
     Aquela prima...que era próxima e devido a brigas familiares, ficou distante (primeiro fato imprevicível do meu dia). Nos esbarramos no vestiário e eu me vi, obrigada, a cumprimentar. Jogamos conversa fora como se fossemos duas pessoas totalmente estranhas, que acabaram de se conhecer naquele ambiente físico.  
     Depois de feito o ato de boa educação, nos despedimos e eu segui o meu rumo. No meio do caminho, um carro me fecha e acabamos nos colidindo, segundo fato imprevicível do dia. Eu tomei um susto e parei o carro, vi que ele parou também...mas eu não sabia o que sentir, se era alívio ou medo da reação dele.
      Ele chegou até o meu carro, eu abri o vidro, e ele disse: oh minha linda, você estava errada tentando virar aqui (mentira, porque eu faço esse trajeto todos os dias, junto com outros não sei quantos motoristas). Eu preferi não entrar no mérito de quem estava certo ou quem estava errado, porque eu sabia que iriamos bater boca o resto da manhã.
       Angustiada para fazer minha prova, liguei para minha mãe e ela veio me ajudar, fiquei pensando para quem eu ligaria, se os meus pais já não estivessem mais vivos e eu não fosse casada. Depois ela ligou para o meu pai e ele também apareceu. O motorista do outro veículo, ligou para o emergência e pediu que uma viatura fosse fazer a perícia. A perícia era necessária, devido ao fato de o carro dele ser do governo. 
     Ficamos 4h esperando e a viatura não chegou. Decidimos apenas ir a delegacia para registrar ocorrência. Chegamos lá, a atendente falou: "Teve vítima? Não? Olha, se eu fosse vocês, eu faria o registro pela internet, pois é a mesma coisa que nós fazemos aqui. Se você quiserem fazer aqui, tudo bem, mas vai demorar porque estamos com vinte presos aqui". Nessa altura do campeonato, minha mãe já havia ido embora, porque precisava trabalhar e meu pai ficou para me auxiliar (aposentado tem suas vantagens). Ele tirou foto das placas, dos carros e dos documentos dos veículos. 
     Pegamos o contato do motorista e falamos que iríamos enviar as fotos por email, já que ele não tinha câmera fotográfica no celular (como isso facilitou a minha vida, nesse caso). Fui para a casa do meu pai e começamos a fazer o registro...o que acontece? O sistema virtual do governo é uma merda e travou tudo...eu tenho certeza de que existem bons profissionais na área de informatica, que poderiam melhor isso dai. 
     Como eu estava atrasada para ir ao estágio, meu pai decidiu me levar e registrar a queixa quando voltasse para casa. Ainda tenho compromisso no período noturno e espero que nenhum outro carro resolva bater em mim, ou que eu mesma não resolva meter o carro em algum lugar.
      Conclusão: perdi minhas provas, terei que fazê-las na semana que vem, fiquei com vontade de fazer xixi durante horas, pegando chuva, estou com receio e medo de dirigir de novo, mas falaram que é melhor eu enfrentar esse medo do que ficar presa em casa, dependendo dos outros. 
     Mas tiveram coisas boas, como por exemplo, a compreensão da minha professora sobre o fato ocorrido e o motivo da minha ausência na faculdade; ter passado um tempo com o meu pai, que a muito tempo não via; ter conseguido ir para o estágio a tarde; não ter me machucado na colissão e sentir o carinho que as minhas amigas e colegas de turma transmitiram ao saber do ocorrido.
      É...para terminar com um clichê (isso já virou rotina nesse blog?), terminamos com a reflexão de que não temos controle sobre as nossas vidas, o acaso e as imprevisibilidades existem...a questão é saber como lidar com elas e seguir em frente. Ilusão, pensarmos que podemos controlar tudo a nossa volta, mas acho que em certo ponto é necessário ter essa sensação de controle, para nos direcionarmos melhor e conseguir alcançar os nossos objetivos. Se toda hora nos sentirmos desamparados e sem controle, ficaríamos atordoados e perdidos ao longo dessa jornada.
      Ps: Gostaria de agradecer aos meus amigos que estiveram do meu lado, me apoiando via mensagem e celular durante o dia - Kenji, Alyne, Rafael, Carmen, Colegas da Faculdade. 


quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Bodas de Algodão Doce

    Semana passada eu tomei um susto quando meu amigo disse que existem bodas para namoro. Eu sempre acreditei que só existisse esse tipo de comemoração para pessoas casadas. Descobri que 03 meses de namoro, o casal comemora as Bodas de Algodão Doce e entendi que as bodas de namoro tem nomes infantis como, por exemplo, bodas de pipoca.
    Talvez essa seja uma mania das meninas adolescentes, já que esse amigo namora uma menina de 16 anos de idade. Mas deixando de lado as minhas criticas a respeito da infantilidade de se comemorar bodas com apenas 03 meses de namoro - isso, para mim, ainda é um namoro muito recente -, resolvi fazer esse post em homenagem a esse amigo e a sua namorada.
    Eles são um casal que eu gosto muito, admiro pela determinação, pelo enfrentamento de situações desgastantes e por estarem firme e forte, completamento suas bodas de algodão doce. Coincidentemente, eu comemoro meu aniversário de namoro, um dia antes desse casal...e juntos, nós comemoramos os 03 primeiros meses de namoro.
    Estou feliz por ter passado pelos primeiros meses críticos de adaptação do namoro. E desejo, do fundo do meu coração, que tanto o meu namoro, como o deles, dure muitos meses e anos*-*.
   Feliz bodas de algodão doce para vocês Kenji e Isa :3. Que o namoro de vocês, seja repleto de doces, carinhos e ternuras. E continue enfrentando os obstáculos que aparecem na vida de vocês, porque eu sei que juntos vocês vão longe. Que o amor entre vocês, se eternize virtualmente com esse post, escrito com tanto carinho.


sábado, 3 de novembro de 2012

Testamento Virtual

       Pensando agora sobre morte, eu cheguei a conclusão que deveria fazer um testamento virtual. O objetivo desse testamento é colocar, por escrito, o que eu sinto em relação a mim mesma, a minha morte e as pessoas que passaram, passam e estão na minha vida até o presente momento. Peço desculpas desde já, se eu deixar de mencionar alguém...são muitas pessoas...mas saibam, todos, que eu amei a todos e odiei a todos, do meu jeito, e de diversas formas diferentes.
     Primeiramente, eu gostaria de dizer que quando a minha morte chegar eu dou todo e qualquer direito de  qualquer um: chorar, se descabelar, se sentir abandonado, rejeitado, desamparado, angustiado, rir, brincar, me zuar (acho que vai ser o único momento da minha vida que eu permitirei vocês fazerem isso sem eu ficar emburrada e com raiva devido a encheção de saco de todos), lembrar das coisas boas que eu fiz, das coisas ruins, das certas e das erradas, de abraçar um ao outro, de fingir que não está nem ai, ou de simplesmente não estar nem ai, de não chorar, de apenas olhar para o corpo e pensar: será que ela vai levantar daí?  (é o que eu tendo a pensar nessas situações). Enfim...de se deixar sentir, entrar em contato com o que quer que seja.
    Segundo, vocês tem o dever, perante a minha pessoa morta, de tirarem o tempo que for para o luto. Acredito que cada um tem seu ritmo e isso que importa para mim...cada um se dar um tempo para refletir sobre vida e morte, sobre o que fez ao longo da vida e sobre o que ainda vai fazer. sobre as minhas ações e a minha ausência. Mas depois de refletirem, sigam em frente. Porque a vida continua, não estagne, o que eu mais quero para todos é o progresso em todas as áreas da vida, vocês sabem disso.
     Em terceiro lugar, eu gostaria de ter um enterro tradicional. Ser enterrada mesmo, com orações e palavras significantes, mas que seja um momento de reflexão, um momento calmo, sereno, que ninguém use preto por favor...branco de preferência, acho tão lindo. No meu velório, vocês podem decorar com qualquer tipo de flor, desde que sejam cheirosas e que, em vida, me fariam ficar toda hora querendo cheirar.  E lógico...a posição do meu corpo deve estar com os braços cruzados na frente do peito, porque isso me remete a um enterro que eu fui quando eu tinha 09 anos de idade, e fiquei encantada com a paz que o corpo, naquela posição, vestida de branco, me transmitiu.
       Quanto aos meus bens materiais, acho que o que eu mais possuo são livros e mangás. Os livros, por favor, alguém doe para uma instituição que precise, porque em vida, eu desejo muito fazer isso...mas até hoje ainda estou muito apegada a eles, e não conseguiria abrir mão. Os meus mangás? Bom, passe eles para as minhas irmãzinhas pequenas, quero que elas gostem deles como eu gostei.
      O resto...roupas, cosplays, colares, anéis, cama, computador, laptop, enfim...coisas uteis, também quero que vocês entreguem para pessoas que precisam. Mas tirem tudo de fotos, imagens de animes, episódios de seriados e animes, do computador e laptop antes de entregá-los a alguém. Guardem apenas as fotos pessoais e publiquem meus semi-livros - um dia vou terminá-los, o resto jogue fora. E as coisas inúteis ou velhas demais para uso, joguem fora - não queimem porque faz mal ao ambiente e consequentemente a saúde de vocês, ainda mais em Brasília com essa seca.          
     Urgente: Não guardem nada inútil só para sentirem a minha presença, estarei nas lembranças e no coração de cada um - bem ou mal. Não quero imaginar nenhuma daquelas cenas de filme em que os pais e irmãos deixam o quarto do defunto intacto com medo de esquecê-lo - freak.
       Saindo da parte prática e chegando a parte sentimental. Gostaria de agradecer a Deus, que me deu a oportunidade de viver, neste mundo, ao lado de pessoas tão queridas. Lembro que quando eu era pequena eu gritava dentro de mim: "eu não quero mais ficar aqui, eu quero ir embora, aqui é muito ruim". Hoje, eu aprendi a amar o que eu tenho aqui, aprendi amar o outro e a mim mesma.
      Acho que até aqui, com meus mínimos 21 anos de idade, eu evolui bastante. Cresci na vida com os meus erros, porém tenho muito o que aprender ainda, aprender a: lidar com meus erros passados, com as dores que eu causei sem querer e com as que eu quis causar, com o fato que eu não sou e não serei perfeita, com a provocação dos outros, com o meu senso de humor curtíssimo, com a minha TPM, com as minhas explosões de sentimentos, com as minhas sombras, com as exigências dos outros e de mim mesma, com os meus momentos de fragilidade e de inutilidade.
        Em seguida, eu gostaria de agradecer a minha família nuclear e a minha família extensa, que estiveram comigo desde antes do meu nascimento. Que me nutriram com leite, com vitaminas bizarras, com comidas ruins e gostosas, com conhecimento, carinho e amor. Eu peço desculpa para os meus primos, que deixei se distanciarem de mim e dos que já estão longe devido a distância física.
        Depois eu gostaria de agradecer aos amigos em carne osso, aos amigos virtuais, aos ex namorados e namorado. Cada um contribuiu e contribui, hoje, no meu dia a dia, com carinho, amor, frases engraçadas, tiradas (isso me dá muita raiva), momentos inesquecíveis, lembranças preciosas que eu carrego até hoje, beijos, abraços, carícias, sexo, gozos e prazeres. Enganados estão aqueles que já passaram, que pensam que eu esqueci o nome, que eu não lembro mais.
         Aos profissionais que trabalharam na minha casa, todos tão especiais para mim, que sem eles eu não sei o que seria de mim. Com tamanha paciência, colocaram comida à minha mesa, lavaram as minhas roupas, me levaram nos lugares, cuidaram de mim quando eu estava adoentada e me deram carinho do jeitinho que só eles sabem dar.  E  aos que trabalharam nos lugares que eu frequentei - restaurantes, livrarias, papelarias, bares, sinucas, cinemas, shoppings, cidades, estados, países, entre outros. Até aqueles chatos de mal humor, que no dia a dia a gente tem vontade de xingar, porque fica com cara de bunda pra você, sem querer te atender direito.
    Agradecimento aos meus professores. Aqueles que me deixaram traumatizada com português e matemática, os que me alfabetizaram, aqueles que me acolheram, me escutaram, me ouviram. Aqueles que eram indiferentes, distantes e chatos. E aqueles que me deram a oportunidade de me ensinar o que eu amo estudar hoje (Psicologia), que me proporcionaram momentos de risada, de reflexão, raiva e medo.
        Aos profissionais da saúde que me ajudaram a cuidar de mim, que me mostraram o caminho para uma vida mais saudável, que tiveram a paciência de puxar a minha orelha, quantas vezes fossem, por eu estar cometendo o mesmo erro relacionado, principalmente, com falta de atividade física e alimentação errada.
       À minha querida e amada Psicóloga. Que eu tanto amei, briguei, fiquei com raiva (mais internamente do que externamente), que me ensinou tanto e me deu oportunidades de conhecer o mundo que ela me mostrou, aquele mundo que me fascinou desde quando eu a conheci. Que me proporcionou momentos de reflexão, de escuta, que me permitiu sentir e chorar sem ter vergonha por isso. Que me fez trabalhar, estudar, colocar a mão na massa, atender clientes de forma ética e profissional.
       Por fim, saibam que eu amei e odiei cada um do meu jeitinho. Cada pessoa que passou pela minha vida, foi especial. Não pense você que por eu ter sido agressiva, chata, arrogante, imbecil, eu não te amava. Eu amei todos, mesmo deixando de ter paciência com alguns, de ter sido intolerante, de não querer ter escutado, de não querer ter falado, de ter sentido raiva porque não me derem tempo e espaço para me isolar quando eu queria.
       Eu espero não ter esquecido de ninguém. A ideia desse testamento virtual é colocar no papel, por escrito, tudo o que o falecimento da minha avó, no dia 29 de Outubro de 2012, me fez refletir a respeito da minha vida. Sinceramente, eu nem sei ainda direito o que eu senti com a ausência dela. Mas me fez pensar em morte, vida, ações, atos, vida após a morte, objetivos, metas, passado, presente e futuro...enfim, em tudo.          
      Agradeço à ela, por ter dado a luz a essa família maravilhosa que eu tenho, com seus defeitos, fantasmas e neuras, mas linda. E por ter me mostrado, no seu último momento, que o que separa a morte da vida é uma linha muito tênue. Ou seja, vamos curtir o máximo que conseguirmos do que nós temos aqui (clichê básico).