Como ele me alimentava:
Com elogios, aumentando meu ego,
falando que era bonita até com espinhas. Falava que eu era linda, gostosa, e que eu era a melhor namorada do mundo. Eu amava o fato de que ele sempre querer me dar tudo, me mimar. Adorava a forma como ele me olhava, aquele olhar de apaixonado, depois aquele olhar de desejo incontrolável, de querer me ter todinha pra ele.
Ele me alimentava, falando que me
amava, me abraçando, acariciando, me fazendo gozar mesmo depois que ele já ter gozado. Eu adorava o fato de que ele se excitar apenas com um beijo meu. Ele me alimentava escutando tudo o que eu falava, em silêncio,
refletindo. Ele amava escutar tudo o que eu tinha a dizer.
Me alimentava com a voracidade que ele tem
de querer sempre me sentir mais, me sentir com o corpo, com a mente, com as
minhas palavras, com o que eu escrevo...ele sempre queria ler tudo que eu
escrevia, mesmo se fossem palavras rabiscadas em um papel de forma aleatória.
Ele me alimentava contando como é a realidade da vida masculina, como ele era quando estava solteiro, como ele e seus amigos seduziam as mulheres. Ele me mostra esse universo e mundo que eu tenho tanta sede de saber como que é.
Ele me deixava ficar quieta, ele não
me forçava a fazer sexo quando eu não queria, ele deixava eu dormir no ombro dele e na barriga dele. Ele assistia qualquer filme que eu quisesse, ele quase
não reclamava dos programas que eu escolhia fazer.
Ele gostava de ficar atoa,
morgando. E eu amo isso, amava estar com ele, ficar encostada nele, sentada na
grama, olhando o lago e discutindo questões existenciais. Ele não ficava bravo quando eu ficava toda hora cobrando o que ele
sempre esquecia de fazer e mesmo com pouco dinheiro, ele tentava pagar os nossos passeios.
Ele me alimentava querendo ter um relacionamento
sério e duradouro comigo, fantasiando e sonhando com casamento e filhos. Até os papeis a gente já havia estipulado, o que cada um ia fazer na educação
dos filhos, a forma como íamos agir. Até brincamos, falando que nós filhos ião nos chamar de pais bobos.
Eu não tenho porque me culpar e me condenar por, as vezes, sentir saudades, mesmo tendo sido eu a corajosa de mostrar que já não dava mais certo.

