quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Aquele momento que alguém diz que está apaixonado por você

        Estranhamente, depois que eu li um texto de uma menina linda apaixonada por mim, entrei em contato tão profundamente com quem eu sou que me perguntei o que ela enxergou. Foram diversos os sentimentos entre choros, passos pela casa e indagações.

Felicidade - por saber que alguém sente coisas tão lindas por mim.
Tristeza - por não conseguir corresponder este sentimento na mesma intensidade.
Medo - de magoar e decepcionar a entrega afetiva e a confiança dela em mim.
Responsabilidade - por ter proporcionado algo tão significativo e importante à alguém.
Culpa - por saber da arte de fazer alguém se apaixonar.
Raiva - da ousadia, de arriscar e de ser egoísta, fazer o que quero sem pensar no que isso pode gerar no outro.
Neurótica, "boazinha", fofa, filha do ano, psicopata, egoísta, amável, odiável, confusa, decidida, medrosa, ousada, escrota, inesquecível, fria, fechada emocionalmente, etc, etc. 

         A vida e seus mistérios interiores. Sempre achei fácil me entregar nos braços de alguém. Sexo, dormir de conchinha, beijar, tocar, trocar energias, conversar e experienciar coisas novas. Algo tão natural, mas que com ela eu senti uma tremenda ansiedade.
       Não sei se por saber que isso poderia fazê-la se apaixonar, por saber da responsabilidade que isso implicaria, da novidade, mas eu neguei ver tudo isso. Segui meu desejo. Tudo foi legítimo, beijá-la, levá-la para casa, dormir junto e acordar no dia seguinte sem arrependimentos. 
        Em nenhum momento fiz algo que eu não queria fazer, foi autentico. Aqui eu percebo na pele a dificuldade de todos nós de assumirmos o que realmente desejamos, conseguir se apropriar de si mesmo e ser verdadeiro.
     Mas chegou um ponto onde os sentimentos dela surgiram, e os meus? Adormecidos? Inexistentes? Mortos? Escondidos? Será que ela também se pergunta isso?
       Vou contar uma história para vocês me entenderem. Como uma pessoa normal, egoísta e narcisista, falarei o que sinto, tendo plena consciência de tudo que isso possa gerar. Fazem 04 meses que nos conhecemos pessoalmente, mas também fazem quase 06 meses que eu terminei um relacionamento de 02 anos e 05 meses com um rapaz. 
        Esse namoro foi a "coisa" mais intensa que eu já tive e até hoje lembrar me faz chorar, rir, sentir nostalgia e me indagar sobre quem eu sou e quem eu fui. Não foi apenas um namoro, mas sim, parte do meu processo de crescimento como pessoa, algo que ressoou na minha alma.
      Partindo desses fatos, percebo que ainda existem amarras criadas e não desfeitas. Já tirei ele do lugar de namorado, entretanto, sua pessoa grita dentro de mim e me questiona o que é certo e errado, amor e ódio, companheirismo e traição, vida e morte.
      Com isso, minhas emoções estão congeladas no tempo, ainda sou a gata presa em casa, observando da varanda e tomando sol, me preparando para sair. Quando ela sair estará forte, corajosa e pronta para enfrentar questionamentos, dúvidas, preconceitos, sentimentos e pessoas. E pode ter certeza, quando decidida, nada mudará o que deseja.
      Não me pergunte quando, onde ou o que acontecerá daqui para frente. Homem, mulher, relação aberta, namoro, poliamor, encontro casual ou nada. Saiba que tudo na vida tem risco, felicidade ou tristeza, o que importa para mim é a experiência vivida com autenticidade.
    Hoje, o que eu posso te dar, é minha companhia, minha confusão e experiências. Agora deixo a decisão com você.