Eu estou fisicamente na faculdade. Já a minha mente e o meu corpo estão transbordando de tantas emoções, angustias, questionamentos, interpretações, fantasias, desejos - nem sei mais sobre o que meu professor está falando, algum bla bla bla sobre operacionalização da queixa e análise funcional.
Acabei fugindo para a fantasia, porque resolvi ler as os posts Cartas do Herr Kaffee (http://pensecafe.blogspot.com.br/search/label/Cartas). Elas tem como temática o romance entre um casal, mas o final surpreendeu, adorei o desfecho. E me fez pensar sobre a ambivalência da fantasia e da realidade. Acabei parando para refletir sobre o meu namoro.
O começo de qualquer namoro, penso eu, se configura na base da fantasia, das expectativas, da novidades, do conhecer o outro. Por isso é a fase mais avassaladora de uma relação, eu sempre sinto que tudo é possível. Sinto como se eu pudesse ficar com a pessoa todos dias, todas as horas, que eu nunca enjoaria, que ele poderia me acompanhar todos os dias até a minha casa (mesmo morando do outro lado da cidade), sinto como se todos os dias fossem finais de semanas, dias leves e com muita diversão, nada me atrai mais do que estar e conviver com a pessoa...aquele desconhecido e estranho que com o passar do tempo se torna tão conhecido e essencial nos meus dias.
Os dias vão passando, e as situações do cotidiano começam a aparecer e entrar em conflito com as fantasias que antes estavam embasando o relacionamento. Ele começa a ter que parar de mandar mensagens e parar de ligar, porque a conta do telefone está cara. Começamos a nos ver apenas nos finais de semana, porque durante a semana não temos mais tempo. Ele começa a ficar desanimado com a rotina, angustiado por não conseguir atingir os seus objetivos de forma rápida, e estressado por vinte e quatro horas não serem mais suficientes para estudar todas as matérias que lhe são exigidas.
E a partir dai, eu entro em conflito, de um lado tem o que eu queria que fosse e do outro lado tem o que realmente é. Preciso me adaptar as situações, preciso ter paciência para entender o que ele está sentindo, mas ao mesmo tempo sinto necessidade de expressar o que eu sinto, de falar que é difícil me adaptar, de mostrar que se a relação mudar muito posso começar a querer exigir dele o que ele não pode me dar no momento.
Paro de pensar, e tento respirar. Não quero jogar para o alto, algo que é tão grandioso e que me trás tanta felicidade, só por causa do primeiro obstáculo que surgiu, vou continuar lutando por ele, por mim e por nós...eu sei que tenho energia pra isso, pra tudo. Mas penso...como eu queria que a realidade tivesse demorado mais tempo para chegar.





