quarta-feira, 21 de maio de 2014

    

    "Tinha uma história sobre o Céu e o Inferno, que antigamente os pais passavam para os filhos, mas que hoje está esquecida. Um homem, seu cavalo e seu cão caminhavam por uma estrada. Ao passarem perto de uma árvore gigantesca, um raio caiu, e todos morreram fulminados. O homem, porém, não percebeu que já havia deixado este mundo e continuou caminhando com seus dois animais. Às vezes os mortos levam tempo para se dar conta de sua nova condição.
     A caminhada era muito longa, morro acima, o sol era forte, eles estavam suados e com muita sede. Numa curva do caminho, avistaram um portão magnífico, todo de mármore, que conduzia a uma praça calçada com blocos de ouro em cujo centro havia uma fonte da qual jorrava água cristalina. O caminhante dirigiu-se ao homem que guardava a entrada.
     - Bom dia.
     - Bom dia - respondeu o guarda.
     - Que lugar é este, tão lindo?
     - Aqui é o Céu.
     - Que bom que nós chegamos ao Céu, estamos com muita sede.
     - O senhor pode entrar e beber água à vontade - disse o guarda e então indicou a fonte.
     - Meu cavalo e meu cachorro também estão com sede.
     - Lamento muito - disse o guarda. - Aqui não é permitida a entrada de animais.
     O homem ficou muito desapontado porque a sede era grande, mas ele não beberia sozinho; agradeceu ao guarda e continuou adiante. Depois de muito caminharem morro acima, mais exaustos, chegaram a um sítio cuja entrada era marcada por uma porteira velha que se abria para um caminho de terra, ladeado de árvores. À sombra de uma das árvores, um homem estava deitado, a cabeça coberta com um chapéu, possivelmente dormindo.
      - Bom dia - disse o caminhante.
       O homem acenou com a cabeça.
      - Estamos com muita sede, eu, meu cavalo e meu cachorro.
      - Há uma fonte naquelas pedras - disse o homem, indicando o lugar. - Podem beber à vontade.
       O homem, o cavalo e o cachorro foram até a fonte e mataram a sede.
       O caminhante voltou para agradecer.
      - Voltem quando quiserem - respondeu o homem.
      - Por sinal, como se chama este lugar?
      - Céu.
      - Céu? Mas o guarda do portão de mármore disse que lá era o céu!
      - Aquilo não é o Céu, aquilo é o Inferno.
        O caminhante ficou perplexo.
    - Vocês deviam proibir que eles usem o nome de vocês! Essa informação falsa deve causar grandes confusões!
     - De forma alguma; na verdade, eles nos fazem um grande favor. Lá ficam todos aqueles que são capazes de abandonar sues melhores amigos..."

segunda-feira, 5 de maio de 2014

                


                “Vou lhe contar uma história – disse Zedka:
               Um poderoso feiticeiro, querendo destruir um reino, colocou uma poção mágica no poço onde todos os habitantes bebiam. Quem tomasse aquela água ficaria louco.
               Na manhã seguinte, a população inteira bebeu e todos enlouqueceram, menos o rei, que tinha um poço só para si e sua família, onde o feiticeiro não conseguira entrar. Preocupado, ele tentou controlar a população, baixando uma série de medidas de segurança e saúde pública. Mas os policiais e inspetores haviam bebido a água envenenada, e acharam um absurdo as decisões do rei, resolvendo não respeitá-las de jeito nenhum.
              Quando os habitantes daquele reino tomaram conhecimento dos decretos, ficaram convencidos de que o soberano enlouquecera e agora estava querendo coisas sem sentido. Aos gritos, foram até o castelo e exigiram que renunciasse.
              Desesperado, o rei prontificou-se a deixar o trono, mas a rainha o impediu, dizendo:
             ‘Vamos agora até o poço, e beberemos também. Ficaremos iguais a eles’.
             E assim, foi feito: o rei e a rainha beberam a água da loucura e começaram imediatamente a dizer coisas sem sentido. Na mesma hora, os súditos se arrependeram: agora que o rei estava mostrando tanta sabedoria, por que não deixá-lo governar o país?
             O país continuou em calma, embora seus habitantes se comportassem de maneira muito diferente da de seus vizinhos. E o rei pôde governar até o final dos seus dias”.

sábado, 3 de maio de 2014

         


              Hoje foi a primeira vez que me perguntaram: "Qual a sua profissão?" e eu não soube responder de primeira. Por um instante, veio a resposta "estudante". Pensei, hesitei e respondi, enchendo o peito de orgulho, "Sou Psicóloga".
             Aquilo me soou estranho. Estou com menos de um ano de formada e pronunciar essa frase gerou um impacto nos meus ouvidos, como se pela primeira vez eu estivesse finalmente respondendo como Psicóloga e não mais como estudante.
            E, ao ouvir o nome dessa profissão, todos que estavam sentados em suas cadeiras, esperando o médico chamá-los para suas consultas, se remexeram e se arrumaram, como se a partir daquele momento eu já estivesse com poderes para analisar cada um que estivesse ali sentado.
           Isso me fez lembrar de um fato. Um conhecido da minha irmã, logo depois que me conheceu e soube que eu trabalhava clinicando, ele disse: "Tudo o que os psicólogos dizem é certo, então tudo o que você dizer deve ser a verdade, temos que te ouvir".
          Como me parece pesada a responsabilidade de ser um psicólogo, devido a expectativa que os outros colocam em cima dessa profissão. Mas, esses acontecimentos, só me fazem crer que minha profissão é digna e tem alguma credibilidade - mesmo sendo a partir de uma visão equivocada. Então, vamos a luta e nos tornar o melhor profissional que conseguirmos ser!