domingo, 17 de fevereiro de 2013

Noite

     Incrível como um momento de uns 10 a 20 minutos na vida real, na minha cabeça, durou uma eternidade de angústia e sofrimento. Talvez alguém tivesse reparado nesse momento, ou não, estavam todos entretidos com algo, menos eu. E é por isso que para mim durou muito mais tempo, uma sensação agonizante sem fim...sentimentos como exclusão e rejeição foram os que sobressaíram nessa experiência de hoje.
     Eu, sentada em uma cadeira de plástico branca, apoiando meus braços em cima da minha bolsa por não ter espaço suficiente, virada de lado para uma barraca de cachorro quente, acompanhada de seis pessoas além de mim mesma, três na minha frente, duas do meu lado esquerdo e uma do meu lado direito.
    Estava um silencio ensurdecedor, que nem mesmo o barulho dos cochichos das outras mesas ou o barulho da chapa sendo esquentada para fazer o próximo sanduíche puderam disfarçar. Uma pessoa da minha mesa começa a falar com o da outra ponta, fazendo com que a minha atenção fosse chamada para aquele assunto - league of legends - um tema não muito propício para unir todos da mesa.
    Olho para o meu lado esquerdo, e vejo outra pessoa mastigando um copo de plástico sem a menor preocupação com o que estava em volta. Na minha frente se encontra uma pessoa olhando para o nada e, pelo jeito, refletindo a respeito de algo que eu nunca saberei o que era. 
     As outras duas pessoas sentadas à minha frente, cochichando entre si e olhando no celular, ignorando todo o resto das cinco pessoas que se espremeram em duas mesas.
    Isso mesmo, espremeram. Era como eu me sentia, espremida, pequena, encolhida, sufocada, como se aquele fosse o último ambiente que eu deveria ter escolhido estar. E para completar, o sono me abatia, não me fazia pensar em nenhuma alternativa para sair daquela situação desagradável.
   Eu tentei puxar papo, mas nenhum rendeu o suficiente para ser mantido na mesa toda. As duas pessoas sentadas na minha frente me ignoraram o resto dos minutos, acho que isso foi o que mais me incomodou. Eram pessoas novas, que eu nunca havia visto antes, eu queria fazer com que a minha primeira impressão fosse boa para elas, mas acho que elas nem ligaram. 
     E os minutos passavam, e eu agonizava em pensamentos, querendo que alguém falasse: "vamos embora?". Como isso demorou acontecer, eu tive que apelar para o meu celular. Mandei mensagem para uma pessoa fora daquele universo e pedi para que ela me resgatasse. Por sorte, ela ouviu o meu chamado, trocamos algumas mensagens, o que foi útil para disfarçar o meu descontentamento - provavelmente bem evidente na minha face.
      Depois de algumas feridas abertas, alguém disse, o meu salvador, o que lidera o bando fez com que todos levantassem e seguissem para os seus carros. Tentaram me fazer ficar, sair para outro lugar com eles, mas eu consegui me esquivar com a ajuda de outra pessoa.
    Entrando no carro, eu tive que dirigir com os vidros abertos, para que as minhas narinas captassem o ar que faltavam nos meus pulmões. E cá estou, angustiada, porém inteira.

Nenhum comentário:

Postar um comentário