Lá estava eu no meu estagio, enfurnada
em uma sala quente, encarando a tela do computador, evitando não olhar para os
olhos dela.
Silencio, era tudo o que eu conseguia
sentir. Comecei a perceber que a chuva cai do lado de fora, e me prendi ao
cheiro de terra molhada. Uma musica me veio a cabeça e tudo o que eu conseguia
fazer era ficar cantando-a mentalmente, sentindo o cheiro de chuva.
Aquele silêncio era ensurdecedor. Eu não
sabia o que falar para ela, não sabia se podia falar algo. Tentei puxar algum
assunto, mas a conversa não fluía. Então eu resolvi entrar no meu mundo interno
e foi quando aquele silencio ressoou na minha alma e eu percebi que ele estava
me incomodando.
Mas porque aquele silêncio me
incomodava? Eu me sentia na obrigação de animá-la devido ao termino do seu
namoro? Eu me sentia obrigada a dar atenção a ela, por mais que ela não
quisesse? E foi quando eu entendi que o silêncio só incomodava a mim mesma.
Para ela, era como se eu não estivesse
ali. Ela continuou olhando e olhando para a tela do computador da sala, mexendo
no mouse, tão concentrada que era como se não tivesse espaço, naquela sala,
para a minha pessoa. Era estranho ver ela daquele jeito, sem querer conversar e
falar de futilidade do dia a dia.
Comecei a ficar angustiada, olhava as
horas e via que falta uma hora para ela ir embora. A minha vontade era de sair
correndo para ir conversar com alguma pessoa, mas eu não queria deixá-la
sozinha. Achei que a minha presença fisicamente lá, naquela minúscula sala,
mostraria a ela que eu estava ali para o que desse e viesse.
A chuva começou a ficar mais forte, e as
pessoas das outras salas começaram a conversar e comentar sobre a mudança de
tempo em Brasília. Aquilo sim era uma conversa fútil, fútil comparada com o que
eu estava sentindo e passando naquela sala.
A sala estava iluminada, com dois
computadores um na frente do outro, ligados, mas desconectados entre si. Era eu
e ela, desconectadas, cada uma no seu mundo interno, e foi quando eu reparei
que eu preferi escrever isso do que tentar interagir com ela. Eu precisava
escrever, escrever porque aquele silêncio estava me sufocando, estava me
deixando sem ar.
É...como o silencio pode produzir
sentimentos e emoções tão fortes, só basta ele para você pensar e fantasiar sobre
muitas coisas. Eu gosto dele, gosto dele quando eu não sinto necessidade de ter
de agradar o outro. Acho que vou aprender a lidar com ele quando ela trouxer
ele de novo pra a nossa sala.
A chuva diminuiu de intensidade e eu
voltei a realidade. Tinha que estudar para a prova do dia seguinte. Ah, mas se
eu pudesse eu ficaria navegando por esse silêncio que diz tanto, e ao mesmo
tempo não diz nada.

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