sábado, 7 de julho de 2012

@mor

    Finalmente, eu resolvi fazer um post para o livro @mor de Daniel Glattauer. Um dia, eu estava andando pela Livraria Cultura, acompanhada de um "devorador" de livros, olhando as estantes e com a mão coçando para comprar algum livro que falasse de romance. Quando eu expressei essa minha vontade, meu amigo já foi até a prateleira e pegou esse livro, disse que não havia lido, mas as críticas dos blogueiros falam bem sobre ele. 
     A princípio, eu admito, não parecia ser o livro mais atraente de todos. A capa não chamava muito a minha atenção, mas o fato de ser uma história que gira em torno de diálogos, entre duas pessoas, que tem como meio de comunicação o email, meus olhos brilharam, minha cabeça processou e eu verbalizei: vou comprar.
    Sim, foi uma compra compulsiva, como com qualquer outro livro - acho que sou meio doida nesse aspecto, nem li a sinopse e fui em direção ao caixa pagar mais um produto que gerou felicidade instantânea e imediata. 
    Eu achei que por ser em formato de email, a linguagem seria mais coloquial e a leitura rápida. Mas eu me enganei, os personagens tem personalidades fortes e marcantes, logo, a forma de escrever deles é mais rebuscada do que eu esperava. Um fato que provavelmente influenciou o autor a usar uma linguagem menos coloquial, é a idade dos personagens, o Leo e a Emmi - ambos são adultos já vividos e experientes. 
    A forma como eles se conheceram foi engraçada, mas eu  não quero entrar muito a fundo na história, porque posso acabar dando spoilers aqui. A relação dos dois vai sendo construída ao longo do livro e a intimidade cada vez mais crescendo, juntamente com a vontade de se encontrarem pessoalmente. Aparecem elementos de dúvida, interesse, ciúmes, confusão, raiva, e o que eu achei mais interessante, é que o autor focou bastante na relação virtual dos dois, e pouco na vida concreta. Tentou explorar esse universo cibernético, tão presente nas nossas vidas.
      Eu gostei muito do livro por ter me identificado com ele. Não me identifiquei com o começo, mas ao longo da narrativa, eu consegui enxergar a relação que eu tenho com um grande amigo virtual - 5 anos de amizade, ou faz mais tempo? Eu lia o livro, e podia viver o que eu vivi com ele todos esses anos, conversas fúteis, banais, profundas, inteligentes, angústias, raivas, amores, segredos, confidencias, separação, reencontro, saudades, paixão, ódio, equilíbrio, mas tudo isso no campo do virtual. E eu acho que isso torna especial, a nossa relação cresceu e se estabeleceu na base das nossas fantasias, do nosso imaginário...e talvez, se essa relação fosse para o mundo do concreto e do real, essa amizade mudaria e não seria mais a mesma coisa.
   O Leo manda emails repetindo três vezes o nome da Emmi, como ele já fez tanto comigo. E eu fiquei encantada por finalmente ter achado um livro que eu posso concluir: esse livro, sou eu, inteiramente.
      Um trecho do livro, que se encaixa perfeitamente na minha vida, é quando a amiga da Emmi se pergunta porque a Emmi necessita "de um parceiro-de-e-mail-permanente-e-intensivo que consuma seu tempo e suas energias?" Uma relação virtual, por mais comum que seja, ainda gera questionamentos, se são necessários, principalmente relacionamentos longo, intensos e as vezes conturbados. Quantas pessoas não me questionaram e perguntaram se era saudável o que eu estava fazendo?
      Hoje, eu já vejo como a nossa relação é especial, assim e sempre será, essa relação virtual, porém intensa, diferente de qualquer outra.  Com o tempo eu entendi que essa relação deve permanecer nos moldes que foi construída, uma amizade que nunca vai ser esquecida. De longe, eu torço para que essa pessoa seja feliz e conquiste tudo o que deseja, e que a nossa amizade dure o que tiver que durar, mesmo com todos os nossos desentendimentos, distância e falta de tempo para conversar como conversávamos antes.
     Concluindo...o livro acabou com dúvidas, perguntas em suspenso. Terminou com uma sensação que eu mesma tive e senti na pele. Sim, terá uma continuação para o livro, e eu espero ansiosamente por ela. 
    Na minha fantasia, as vezes, eu ainda tenho vontade de que a gente se encontre e espero que os personagens consigam isso, porque assim, talvez, eu supra os resquícios que ainda existem dessas fantasias.
      

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